Testes em Integrações
Objetivo da página
Ensinar o QA a entender, validar e proteger integrações entre sistemas, garantindo que a comunicação entre módulos, serviços e aplicações externas funcione de forma correta, previsível e segura, mesmo diante de falhas.
Aqui o foco não é “se a tela funciona”, mas se o sistema conversa direito com o mundo ao redor.
O que são Testes de Integração
Testes de integração validam a troca de informações entre dois ou mais sistemas, módulos ou serviços.
Essas integrações podem ocorrer entre:
-
módulos internos do mesmo sistema
-
sistemas diferentes da própria empresa
-
sistemas externos ou serviços de terceiros
-
APIs, filas, jobs, webhooks ou arquivos
O objetivo é garantir que:
-
os dados enviados estão corretos
-
os dados recebidos são interpretados corretamente
-
erros são tratados de forma controlada
-
falhas não geram efeito cascata
Dependências em Integrações
O que são dependências
Dependência é qualquer elemento externo ao fluxo principal que influencia o funcionamento da funcionalidade testada.
Exemplos comuns:
-
API externa
-
serviço interno
-
banco de dados compartilhado
-
fila de processamento
-
job assíncrono
-
outro módulo do sistema
Como o QA identifica dependências
Antes de testar, o QA deve responder:
-
essa funcionalidade consome dados de onde?
-
ela envia dados para quem?
-
depende de processamento assíncrono?
-
existe tempo de espera entre ações?
-
existe fallback se algo falhar?
Exemplo prático
Cenário:
Um módulo gera um relatório com dados de alunos.
Dependências envolvidas:
-
cadastro de alunos
-
matrícula
-
vínculo com turma
-
regras do módulo educação
-
API de geração de relatório
Aqui o teste não é só o relatório.
É validar se todos os dados chegaram corretamente até ele.
Pontos de Falha em Integrações
Pontos de falha mais comuns
-
dados inconsistentes entre sistemas
-
contratos de API quebrados
-
campos obrigatórios não enviados
-
formatos inesperados
-
timeout
-
processamento parcial
-
falha silenciosa sem erro visível
Tipos de falha e como identificar
Falha de dados
O sistema funciona, mas os dados chegam errados.
Exemplo:
-
valor financeiro incorreto
-
status divergente entre telas
-
campo preenchido em um sistema e vazio em outro
O QA valida comparando:
-
origem do dado
-
trânsito do dado
-
destino final
Falha de contrato
A integração quebra porque algo mudou.
Exemplo:
-
campo foi renomeado
-
tipo mudou de texto para número
-
campo obrigatório deixou de ser enviado
O QA valida:
-
estrutura da requisição
-
estrutura da resposta
-
comportamento após a mudança
Falha de tempo
A informação demora mais do que deveria.
Exemplo:
-
cadastro feito agora não aparece em outro módulo
-
relatório não reflete alteração recente
O QA valida:
-
se existe processamento assíncrono
-
tempo aceitável de atualização
-
comportamento enquanto o dado não chega
Falha silenciosa
É a mais perigosa.
Exemplo:
-
sistema não exibe erro
-
mas a integração falhou
-
o usuário acredita que deu certo
Aqui o QA precisa validar:
-
logs
-
mensagens de retorno
-
consistência dos dados após a ação
Estratégias de Validação de Integrações
Estratégia 1: Validação ponta a ponta
Testar o fluxo completo:
-
origem
-
trânsito
-
destino
Exemplo:
Cadastrar algo em um módulo
→ validar envio
→ validar recebimento
→ validar exibição correta no sistema destino
Estratégia 2: Validação por etapas
Testar cada parte isoladamente.
Exemplo:
-
validar payload enviado
-
validar resposta recebida
-
validar persistência no banco
-
validar impacto na UI
Essa estratégia ajuda a localizar exatamente onde está o problema.
Estratégia 3: Validação de erro controlado
Forçar falhas para validar comportamento.
Exemplos:
-
API fora do ar
-
resposta incompleta
-
timeout
-
dados inválidos
O QA valida:
-
mensagem exibida
-
tentativa de reprocessamento
-
bloqueio ou fallback
Estratégia 4: Validação de impacto reverso
Alterações em um sistema podem quebrar outro.
Exemplo:
-
ajuste em cadastro
-
impacto em relatórios
-
impacto em integrações financeiras
O QA valida:
-
funcionalidades dependentes
-
relatórios
-
processos automáticos
Exemplos Práticos de Execução
Exemplo 1: Integração entre módulos internos
Cenário:
Alteração em cadastro reflete em relatório.
Passos:
-
alterar dado no módulo origem
-
validar persistência
-
acessar módulo destino
-
validar exibição correta
-
validar ausência de dados antigos
Exemplo 2: Integração via API
Cenário:
Sistema consome API externa.
Testes:
-
resposta válida
-
resposta vazia
-
erro 500
-
timeout
-
resposta fora do padrão
Validação:
-
sistema não quebra
-
erro é tratado
-
usuário recebe feedback
Exemplo 3: Integração assíncrona
Cenário:
Processamento ocorre em segundo plano.
Testes:
-
executar ação
-
aguardar processamento
-
validar resultado
-
repetir após intervalo
-
validar consistência
Exemplo 4: Regressão em integrações
Cenário:
Correção em um módulo.
QA valida:
-
fluxo corrigido
-
integrações relacionadas
-
dados não impactados
-
funcionalidades antigas continuam funcionando
Boas práticas para QA em testes de integração
-
sempre mapear dependências antes de testar
-
nunca confiar apenas na UI
-
validar dados na origem e no destino
-
testar cenários de erro
-
documentar impacto sistêmico
-
pensar em efeito cascata
Erros comuns em testes de integração
-
testar só o caminho feliz
-
não validar dados intermediários
-
ignorar falhas silenciosas
-
assumir que API sempre responde
-
não testar timeout
Conclusão
Testes de integração não são opcionais.
Eles evitam:
-
erros em produção
-
dados inconsistentes
-
perda de confiança do usuário
QA que domina integrações enxerga o sistema como um todo, não como telas isoladas.