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Estratégia de Teste

O que é estratégia de teste na prática

A estratégia de teste é o plano mental e técnico que orienta como o QA irá garantir qualidade em uma demanda específica. Ela não é um documento engessado nem uma lista de casos de teste, mas um conjunto de decisões conscientes tomadas antes da execução.

Na DBSeller, a estratégia de teste existe para evitar dois extremos:

  • testar pouco demais e assumir riscos desconhecidos

  • testar demais sem foco, desperdiçando tempo e esforço

Uma boa estratégia permite que o QA direcione energia onde realmente importa.


Objetivo da estratégia de teste

O principal objetivo da estratégia de teste é maximizar a cobertura de risco dentro das restrições reais do projeto, como prazo, complexidade e impacto.

Ela busca responder, com clareza:

  • o que precisa ser validado com profundidade

  • o que pode ser validado de forma mais simples

  • o que conscientemente ficará fora do escopo

  • quais riscos precisam ser comunicados

Sem estratégia, o teste vira execução mecânica. Com estratégia, o teste vira análise de impacto e tomada de decisão.


Quando a estratégia é definida

A estratégia de teste deve ser definida o mais cedo possível, idealmente:

  • após o refinamento da demanda

  • antes do início efetivo dos testes

  • enquanto o desenvolvimento ainda está em andamento

Isso permite que o QA:

  • antecipe riscos

  • influencie decisões técnicas

  • evite descobertas tardias

A estratégia pode ser ajustada ao longo do ciclo, mas não deve ser criada apenas no momento da execução.


Fatores considerados na definição da estratégia

1. Risco da demanda

O risco é o fator mais importante da estratégia.

O QA deve analisar:

  • impacto de falha em produção

  • probabilidade de erro

  • histórico de problemas similares

  • complexidade da regra de negócio

Demandas de alto risco exigem estratégias mais robustas.


2. Tipo de sistema e arquitetura envolvida

A estratégia muda conforme o tipo de sistema:

  • sistemas web com múltiplos fluxos

  • APIs e integrações

  • sistemas legados

  • módulos críticos do E-Cidade

Por exemplo, sistemas com muitos iframes, integrações ou regras antigas exigem mais testes exploratórios e regressivos.


3. Prazo disponível

O prazo influencia diretamente:

  • profundidade dos testes

  • quantidade de cenários cobertos

  • necessidade de priorização

Estratégia não ignora prazo. Ela se adapta a ele, priorizando o que traz mais valor.


4. Frequência de mudança da funcionalidade

Funcionalidades que mudam constantemente:

  • não são boas candidatas à automação imediata

  • exigem testes manuais e exploratórios

  • demandam estratégias mais flexíveis

Já funcionalidades estáveis permitem estratégias mais automatizadas.


5. Integração com outras rotinas

Quanto maior a integração:

  • maior o risco de regressão

  • maior a necessidade de testes cruzados

  • maior o valor da automação regressiva

A estratégia deve considerar o sistema como um todo, não apenas a funcionalidade isolada.


Relação da estratégia com os tipos de teste

A estratégia define quais tipos de teste serão utilizados, mas não substitui a documentação detalhada.

Exemplos:

  • testes funcionais para validação direta

  • testes exploratórios para cenários não previstos

  • testes de regressão para proteção de fluxos existentes

  • testes automatizados para repetição confiável

A escolha dos tipos de teste deve sempre estar ligada ao risco, nunca ao hábito.


Como estruturar uma estratégia de teste (passo a passo)

Passo 1: Entender a demanda

  • o que está sendo alterado

  • quem será impactado

  • onde essa funcionalidade é usada

Passo 2: Identificar riscos

  • o que pode quebrar

  • o que pode gerar impacto indireto

  • quais dados são sensíveis

Passo 3: Priorizar cenários

  • cenários críticos

  • cenários de uso real

  • cenários com histórico de falha

Passo 4: Definir abordagem

  • manual, automatizado ou híbrido

  • exploratório ou guiado

  • regressão mínima ou ampliada

Passo 5: Comunicar decisões

  • o que será testado

  • o que não será testado

  • quais riscos permanecem


Exemplos detalhados de estratégias de teste

Exemplo 1: Nova funcionalidade em módulo sensível

Contexto
Nova funcionalidade em módulo com dados críticos.

Estratégia

  • testes funcionais completos

  • testes exploratórios focados em exceções

  • regressão direcionada

  • validação manual aprofundada

  • automação apenas após estabilização

Justificativa
Alto impacto e baixa tolerância a erro.


Exemplo 2: Ajuste visual com baixo impacto

Contexto
Ajuste de layout sem impacto funcional.

Estratégia

  • testes manuais visuais

  • uso de ferramentas como VisBug

  • validação em diferentes resoluções

  • regressão mínima

Justificativa
Baixo risco funcional, foco em usabilidade.


Exemplo 3: Correção de bug recorrente

Contexto
Bug já ocorreu mais de uma vez.

Estratégia

  • reteste completo do cenário

  • regressão ampliada

  • automação do fluxo crítico

  • monitoramento pós-release

Justificativa
Evitar recorrência do problema.


Exemplo 4: Demanda urgente com prazo curto

Contexto
Prazo limitado e alta pressão de entrega.

Estratégia

  • priorização extrema de cenários críticos

  • exclusão consciente de cenários secundários

  • testes exploratórios focados

  • comunicação clara de riscos residuais

Justificativa
Reduzir risco sem comprometer o prazo.


Exemplo 5: Estabilização de fluxo complexo

Contexto
Fluxo grande, integrado e instável.

Estratégia

  • testes manuais para entendimento

  • automação progressiva dos cenários críticos

  • regressão contínua

  • acompanhamento em produção

Justificativa
Aumentar maturidade do fluxo ao longo do tempo.


Estratégia como ferramenta de mitigação de risco

Uma boa estratégia não elimina riscos, mas:

  • torna os riscos visíveis

  • reduz a probabilidade de falha

  • limita o impacto

  • dá base para decisão

Isso permite que a decisão de liberar ou não liberar seja feita com consciência e transparência.


Resultado esperado de uma boa estratégia de teste

Ao final, uma boa estratégia permite:

  • foco correto dos testes

  • redução de retrabalho

  • melhor uso do tempo de QA

  • decisões mais seguras

  • alinhamento entre QA, Dev e Produto

Na DBSeller, a estratégia de teste é um dos principais instrumentos para transformar QA em agente ativo de qualidade, e não apenas executor de testes.