Análise de Resultados de Teste
Objetivo desta página
Esta página descreve como o QA deve realizar a Análise de Resultados de Teste ao final de um ciclo de validação. Essa etapa tem como foco transformar execução, evidências e bugs em informação estratégica, permitindo avaliar a eficiência dos testes realizados, identificar padrões recorrentes e apoiar decisões técnicas e de negócio.
Aqui, o QA deixa de apenas executar e passa a analisar criticamente o que foi produzido, extraindo aprendizados que impactam diretamente as próximas tarefas, ciclos de teste e decisões de liberação.
2. O que é Análise de Resultados de Teste
A Análise de Resultados de Teste é o processo de consolidação, interpretação e leitura crítica de tudo o que foi gerado durante a execução:
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Casos de teste executados
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Resultados obtidos
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Evidências registradas
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Bugs reportados
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Ajustes realizados
O objetivo não é apenas saber quantos testes passaram, mas entender:
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Onde o sistema falhou
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Por que falhou
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Com que frequência
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Qual o impacto dessas falhas
Sem análise, o teste vira apenas checklist. Com análise, o teste vira insumo para melhoria contínua.
3. Quando a Análise de Resultados deve ser realizada
A análise deve ser realizada:
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Ao final de um ciclo de testes
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Antes da decisão de Go ou No-Go
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Após correções relevantes
-
Após ciclos de regressão
Ela pode ser incremental, mas nunca deve ser ignorada.
4. Consolidação de Resultados
A consolidação é o primeiro passo da análise. Aqui o QA organiza todos os dados gerados.
4.1 Consolidação dos cenários executados
O QA deve levantar:
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Total de cenários planejados
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Total executado
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Quantidade aprovada
-
Quantidade reprovada
-
Quantidade bloqueada
Tabela exemplo:
| Indicador | Quantidade |
|---|---|
| Cenários planejados | 25 |
| Cenários executados | 25 |
| Aprovados | 18 |
| Reprovados | 7 |
| Bloqueados | 0 |
Essa visão dá a primeira noção de estabilidade.
4.2 Consolidação dos bugs
Todos os bugs registrados devem ser consolidados em uma visão única.
Informações mínimas:
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Quantidade total de bugs
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Status atual
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Severidade
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Módulo afetado
Tabela exemplo:
| Severidade | Quantidade |
|---|---|
| Crítica | 1 |
| Alta | 3 |
| Média | 2 |
| Baixa | 1 |
Essa consolidação ajuda a entender o peso real dos problemas encontrados.
5. Identificação de Padrões
Após consolidar os dados, o QA deve buscar padrões e repetições, pois eles revelam problemas estruturais.
5.1 Padrões por tipo de bug
O QA deve classificar bugs por natureza:
| Tipo de bug | Exemplo |
|---|---|
| Regra de negócio | Regra aplicada incorretamente |
| Regressão | Funcionalidade antiga quebrada |
| Validação | Falta de bloqueio de dados |
| Layout | Informações cortadas |
Se muitos bugs pertencem ao mesmo tipo, existe um alerta claro.
5.2 Padrões por funcionalidade
Identificar onde os bugs se concentram:
| Funcionalidade | Bugs |
|---|---|
| Relatórios | 5 |
| Cadastro | 1 |
| Progressão | 1 |
Concentração alta indica fragilidade naquele ponto.
5.3 Padrões por fase de teste
Analisar quando os bugs foram encontrados:
-
Teste funcional
-
Teste exploratório
-
Regressão
Isso ajuda a avaliar se o planejamento foi eficaz.
6. Avaliação da Eficiência do Teste
Aqui o QA avalia se os testes foram eficientes.
Perguntas-chave:
-
Muitos bugs foram encontrados tardiamente?
-
Bugs críticos apareceram apenas na regressão?
-
Testes exploratórios encontraram falhas não previstas?
Tabela exemplo:
| Tipo de Teste | Bugs Encontrados |
|---|---|
| Funcional | 3 |
| Exploratório | 4 |
| Regressão | 0 |
Isso indica o valor real de cada abordagem.
7. Construção de Métricas de Qualidade
As métricas devem ser simples, úteis e acionáveis.
7.1 Métrica de cobertura de teste
Exemplo:
Cobertura = (Cenários executados / Cenários planejados) x 100
Exemplo aplicado:
Cobertura = (25 / 25) x 100 = 100%
7.2 Métrica de taxa de falha
Taxa de falha = (Cenários reprovados / Cenários executados) x 100
Exemplo:
(7 / 25) x 100 = 28%
7.3 Métrica de densidade de bugs
Densidade = Total de bugs / Funcionalidades testadas
Exemplo:
7 bugs / 3 funcionalidades = 2,33 bugs por funcionalidade
8. Exemplo completo de Análise de Resultados
Contexto
Task testada: Relatório de Dados da Escola
Resumo consolidado
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25 cenários executados
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7 bugs encontrados
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Maioria dos bugs em relatórios
-
Nenhum bug crítico pendente
Interpretação
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Funcionalidade sensível a layout e dados
-
Testes exploratórios foram fundamentais
-
Planejamento cobriu bem o fluxo principal
9. Apoio à decisão (Go ou No-Go)
A análise de resultados sustenta a decisão final.
Critérios comuns:
-
Existência de bugs críticos
-
Impacto ao usuário
-
Risco de regressão
Exemplo:
| Critério | Avaliação |
|---|---|
| Bugs críticos | Não |
| Bugs altos | Corrigidos |
| Regressão | Baixo risco |
Decisão: Go
10. Uso da Análise como lição aprendida
A análise não termina na liberação.
O QA deve registrar aprendizados:
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Onde focar mais testes no futuro
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Quais tipos de bug são recorrentes
-
O que melhorar no planejamento
Exemplo de lição aprendida:
Relatórios com grande volume de dados exigem mais testes exploratórios e validação de layout.
11. Aplicação nas próximas tarefas
Com base na análise, o QA pode:
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Ajustar estratégias futuras
-
Refinar critérios de risco
-
Melhorar cenários planejados
Isso fecha o ciclo de melhoria contínua.
12. Conclusão
A Análise de Resultados de Teste transforma execução em inteligência.
Ela permite que o QA evolua continuamente, tome decisões embasadas e contribua de forma estratégica para a qualidade do produto.
Na DBSeller, analisar resultados é tão importante quanto executar testes.