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Testes em Sistemas Web

Objetivo desta página

Esta página descreve como o QA deve atuar na validação de sistemas web, aplicando na prática os conceitos de estratégia, tipos de teste, risco, critérios de aceite, regressão e comunicação já definidos nos capítulos anteriores.

O foco aqui é execução consciente, não checklist automático.


Contexto de sistemas web na DBSeller

Os sistemas web da DBSeller, como o E-Cidade e o Portal do Aluno, possuem características que aumentam significativamente a complexidade dos testes:

  • múltiplos módulos integrados

  • grande volume de dados

  • regras de negócio sensíveis

  • uso intensivo de formulários, filtros e relatórios

  • integrações entre telas e módulos

  • usuários com perfis e permissões diferentes

Isso exige que o QA pense o teste a partir do uso real, não apenas do requisito isolado.


Pontos críticos em sistemas web

Antes de executar qualquer teste, o QA deve identificar os pontos críticos típicos de aplicações web.

1. Navegação e fluxo entre telas

O QA deve validar:

  • acesso correto às telas

  • navegação entre menus

  • retorno de ações (voltar, avançar, cancelar)

  • persistência de filtros e estados

Exemplo prático:
Ao salvar um cadastro e retornar à listagem, o sistema deve manter filtros aplicados ou voltar ao estado esperado.


2. Formulários e entrada de dados

Formulários são um dos maiores geradores de bugs em sistemas web.

O QA deve validar:

  • campos obrigatórios

  • validações de formato

  • limites de tamanho

  • comportamento ao salvar, editar e cancelar

  • mensagens de erro e sucesso

Aplicação prática:
Aqui entram Testes de Aceitação, Testes de Integridade e Precisão e Testes Baseados em Risco, conforme definido anteriormente.


3. Estados da interface

Sistemas web possuem múltiplos estados que precisam ser validados:

  • carregando

  • sucesso

  • erro

  • vazio

  • parcialmente preenchido

Exemplo prático:
Uma listagem sem registros deve exibir mensagem adequada, e não erro ou tela em branco.


4. Responsividade

Mesmo sistemas web corporativos precisam lidar com diferentes resoluções.

O QA deve validar:

  • desktop padrão

  • resoluções menores

  • comportamento de tabelas

  • quebra de layout

  • botões acessíveis

Aqui entram Testes de Usabilidade e Testes de Compatibilidade.


5. Sessão e autenticação

Pontos críticos:

  • expiração de sessão

  • múltiplas abas abertas

  • logout automático

  • acesso por perfil

Exemplo prático:
Usuário perde sessão e o sistema deve redirecionar corretamente, sem perder dados sensíveis.


Tipos de teste mais comuns em sistemas web

A seguir estão os tipos de teste mais aplicáveis a sistemas web, conforme a prática da DBSeller.


Testes de Aceitação

Aplicados para validar se:

  • a funcionalidade atende ao que foi definido

  • os critérios de aceite foram cumpridos

Sempre aplicados, independentemente do tipo de demanda.


Testes Exploratórios

Aplicados para:

  • descobrir falhas não previstas

  • validar comportamento fora do fluxo principal

  • observar interação real do usuário

Muito usados após a execução do plano formal.


Smoke Test

Aplicados para:

  • validar se o sistema está minimamente utilizável

  • confirmar que funcionalidades principais não quebraram

Muito usados após deploy ou hotfix.


Testes de Integração

Aplicados quando:

  • dados trafegam entre módulos

  • uma ação em uma tela impacta outra

Exemplo prático:
Cadastro feito no módulo Educação impacta relatórios e consultas em outros menus.


Testes de Usabilidade

Aplicados para validar:

  • clareza de mensagens

  • facilidade de uso

  • fluxo intuitivo

Não avaliam regra, avaliam experiência.


Testes de Integridade e Precisão

Aplicados para validar:

  • dados exibidos

  • cálculos

  • consistência entre telas e relatórios

Extremamente críticos em sistemas administrativos.


Testes de Regressão

Aplicados sempre que:

  • algo existente é alterado

  • bug é corrigido

  • regra compartilhada é modificada

Devem ser definidos conforme impacto, nunca de forma aleatória.


Riscos frequentes em sistemas web

Aqui entra o olhar estratégico do QA.

1. Alteração em um ponto afeta múltiplos fluxos

Sistemas web integrados possuem alto risco de efeito colateral.

Exemplo prático:
Alterar regra de filtro em uma tela pode impactar relatórios, exportações e integrações.


2. Dependência excessiva de estado da UI

Bugs comuns:

  • dados desaparecem ao trocar aba

  • filtros resetam indevidamente

  • listas não recarregam

Aqui o QA deve forçar:

  • troca de abas

  • mudança de filtros

  • navegação repetida


3. Dados inconsistentes entre telas

Risco clássico:

  • tela mostra uma informação

  • relatório mostra outra

Sempre validar:

  • mesma base de dados

  • mesma regra aplicada


4. Problemas de performance mascarados

Em homologação, dados costumam ser menores.

O QA deve:

  • simular cenários com mais dados

  • observar tempo de resposta

  • validar comportamento sob carga razoável


5. Regressões silenciosas

Sistemas web permitem que:

  • algo que funcionava pare de funcionar

  • sem erro visível

Por isso, a regressão precisa ser pensada, não executada mecanicamente.


Aplicação prática do fluxo de QA em sistemas web

Ao receber uma task de sistema web, o QA deve:

  1. Fazer o mapa mental de impacto

    • quais telas

    • quais dados

    • quais integrações

  2. Definir estratégia de teste

    • tipos de teste aplicáveis

    • riscos principais

  3. Elaborar plano ou abordagem

    • plano de teste ou checklist direcionado

  4. Executar testes

    • aceitação

    • exploratórios

    • regressão

  5. Comunicar resultados

    • bugs

    • riscos

    • recomendação de Go ou No-Go

Esse fluxo conecta todo o conteúdo da wiki até aqui.


Erros comuns ao testar sistemas web

  • testar apenas o caminho feliz

  • ignorar estados intermediários

  • não testar troca de filtros e abas

  • não pensar em impacto entre módulos

  • focar só na tela, ignorando dados


Resultado esperado desta abordagem

Seguindo este modelo, o QA garante:

  • testes mais inteligentes

  • menos bugs em produção

  • maior previsibilidade

  • melhor comunicação com dev e produto

Testar sistemas web não é clicar em telas.
É entender como o sistema é usado, conectado e mantido.