Registro de Evidências de Teste
Objetivo desta página
Esta página tem como objetivo ensinar, de forma profunda, prática e estruturada, como o QA deve realizar uma Análise de Causa Raiz (Root Cause Analysis – RCA) a partir dos resultados de teste, bugs encontrados e dificuldades enfrentadas durante a execução de uma tarefa.
A Análise de Causa Raiz não busca apontar culpados. Ela busca entender por que o problema aconteceu, quais fatores contribuíram para isso e como evitar que o mesmo tipo de problema volte a ocorrer em futuras tarefas.
Aqui o QA atua como analista de processo, conectando falhas técnicas, falhas de entendimento, falhas de fluxo e falhas de comunicação.
2. O que é Análise de Causa Raiz
Análise de Causa Raiz é o processo de investigação sistemática que visa identificar:
-
A origem real de um problema
-
Os fatores que contribuíram para sua ocorrência
-
As condições que permitiram que ele passasse despercebido
Diferente da análise superficial, que responde o que deu errado, a RCA responde:
-
Por que deu errado?
-
Por que não foi detectado antes?
-
O que no processo permitiu esse erro?
Sem RCA, os mesmos problemas tendem a se repetir.
3. Quando aplicar a Análise de Causa Raiz
A Análise de Causa Raiz deve ser aplicada sempre que:
-
Bugs relevantes forem encontrados
-
Um padrão de falhas for identificado
-
Um bug crítico escapar para fases avançadas
-
A execução de testes apresentar baixa eficiência
-
Uma entrega gerar retrabalho excessivo
Ela pode ser aplicada:
-
Ao final de uma task
-
Ao final de um ciclo de testes
-
Após um incidente relevante
4. Diferença entre sintoma, causa e causa raiz
Um erro comum é confundir sintoma com causa.
| Conceito | Definição | Exemplo |
|---|---|---|
| Sintoma | O que foi observado | Relatório gerado incorretamente |
| Causa | O que provocou o sintoma | Regra não implementada |
| Causa raiz | Por que a causa existiu | Requisito incompleto |
A RCA só termina quando se chega à causa raiz.
5. Visão geral do processo de Análise de Causa Raiz
Fluxo macro:
[Problema Identificado]
|
v
[Coleta de Informações]
|
v
[Identificação das Causas]
|
v
[Chegada à Causa Raiz]
|
v
[Definição de Ações Preventivas]
Cada etapa é essencial e não deve ser pulada.
6. Passo 1 – Identificação clara do problema
O primeiro passo é descrever o problema de forma objetiva.
O QA deve responder:
-
O que aconteceu?
-
Onde aconteceu?
-
Quando aconteceu?
-
Qual foi o impacto?
Exemplo:
Durante a execução dos testes da task, foram encontrados vários bugs relacionados à exibição incorreta de dados em relatórios.
Evite descrições genéricas ou emocionais.
7. Passo 2 – Coleta de informações
Nesta etapa, o QA reúne todos os dados relevantes:
-
Bugs registrados
-
Evidências
-
Cenários afetados
-
Histórico da task
-
Ajustes realizados
Tabela de apoio:
| Fonte | Informação coletada |
|---|---|
| Bugs | Tipos e severidades |
| Evidências | Prints e vídeos |
| Cenários | Onde falhou |
| Histórico | Mudanças e correções |
Sem dados, não existe análise confiável.
8. Passo 3 – Identificação das causas
Aqui o QA começa a responder por que o problema ocorreu.
As causas podem estar em diferentes dimensões:
| Dimensão | Exemplos |
|---|---|
| Requisitos | Regra incompleta ou ambígua |
| Técnica | Implementação incorreta |
| Processo | Falta de validação prévia |
| Comunicação | Expectativa não alinhada |
| Teste | Cobertura insuficiente |
Um mesmo problema pode ter mais de uma causa.
9. Técnica dos 5 Porquês
Uma técnica simples e eficaz é a dos 5 Porquês, que consiste em perguntar “por quê?” sucessivamente até chegar à causa raiz.
Exemplo prático:
-
Por que o relatório exibiu cursos inativos?
→ Porque a regra não foi aplicada no relatório. -
Por que a regra não foi aplicada?
→ Porque o desenvolvimento considerou apenas a tela. -
Por que considerou apenas a tela?
→ Porque o requisito não explicitava o comportamento no relatório. -
Por que o requisito não explicitava?
→ Porque não houve validação completa do documento. -
Por que não houve validação completa?
→ Porque o fluxo de revisão não envolveu QA.
Causa raiz identificada: falha no processo de revisão de requisito.
10. Passo 4 – Confirmação da causa raiz
Antes de concluir, o QA deve validar se a causa raiz realmente explica o problema.
Perguntas de validação:
-
Se essa causa fosse eliminada, o problema não ocorreria?
-
Essa causa explica problemas semelhantes?
Se a resposta for não, a análise deve continuar.
11. Passo 5 – Definição de ações preventivas
A RCA só gera valor quando resulta em ações concretas.
As ações devem ser:
-
Práticas
-
Executáveis
-
Preventivas
Tabela exemplo:
| Causa raiz | Ação preventiva |
|---|---|
| Requisito incompleto | Revisão técnica com QA |
| Falha de cobertura | Ampliar cenários |
| Regressão recorrente | Criar teste regressivo |
12. Exemplo completo de Análise de Causa Raiz
Problema identificado
Múltiplos bugs relacionados à exibição de dados em relatórios.
Causas identificadas
-
Requisitos pouco detalhados
-
Falta de validação exploratória inicial
Causa raiz
Ausência de revisão estruturada do requisito com foco em comportamento e exceções.
Ações definidas
-
Criar checklist de revisão de requisitos
-
Incluir QA na validação inicial
-
Ampliar testes exploratórios para relatórios
13. Uso da RCA como aprendizado contínuo
A Análise de Causa Raiz deve gerar aprendizado organizacional:
-
Ajustar processos
-
Melhorar planejamento
-
Reduzir reincidência de erros
Ela deve ser documentada e consultada em tarefas futuras.
14. Integração com a Análise de Resultados
A RCA complementa a Análise de Resultados de Teste:
-
Resultados mostram o que aconteceu
-
RCA explica por que aconteceu
Juntas, elas permitem decisões mais maduras.
15. Conclusão
A Análise de Causa Raiz é uma das práticas mais importantes para a maturidade do QA.
Ela transforma falhas em aprendizado, erros em melhoria e testes em evolução de processo.
Na DBSeller, realizar RCA é sinal de qualidade, responsabilidade e visão de longo prazo.